25 10 2019

Na noite desta quinta-feira (24), o auditório do auditório do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) foi palco da abertura da terceira edição do Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun). O evento, realizado pela Associação dos Magistrados do Distrito Federal (AMAGIS-DF),  reuniu autoridades dos poderes Judiciário e Legislativo, além de representantes da sociedade civil.

A mesa de abertura foi composta pelo presidente da Amagis-DF, Juiz Fábio Esteves, pela presidente da Associação dos Magistrados do Amapá (Amaap), Elayne Cantuária; pela presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Desembargadora Vera  Deboni; pelo presidente da Associação dos Magistrados Piauienses (Amapi), Juiz Thiago Brandão; pelo Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Fonseca, pelo Diretor da Associação de Juízes Federais (Ajufe), Juiz Antônio José de Carvalho Araújo, e pelas parlamentares, Maria Rosas e Rosângela Gomes.  

Ao abrir o evento, o presidente da Amagis-DF, Juiz Fábio Esteves destacou que essa é a última edição do Enajun e no próximo ano será ampliado para o Fórum Nacional de juízes contra o racismo e toda a forma de discriminação. Durante a sua fala, o magistrado enfatizou que os dados ainda desapontam quanto ao número de magistrados negros em atuação no Judiciário, e citou os números   divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2018. “Nós somos em torno de 18% entre declarados pretos e pardos. Então, ainda temos muito o que conversar”, considerou.

Na o oportunidade, Fábio Esteves agradeceu os presidentes das associações regionais que apoiam o evento. “Essas pessoas [os representantes das associações] têm que ter a consciência que elas contribuíram para que nós, homens e mulheres negros, juízes e juízas, deixássemos de ser solitários. Uma solidão não voluntária. É uma solidão perversa, de um questionamento constante sobre o que estamos fazendo ali. E essa é a solidão que vocês apoiaram para que hoje possamos dizer: Não, não estamos mais solitários”, afirmou sob forte aplauso dos presentes que lotaram o auditório.

O ministro Reynaldo Fonseca  afirmou que depois de muita luta ainda tem sido difícil a inclusão dos negros na Magistratura. “Se hoje já somos 18%, já é um sintoma de que a luta vale a pena”, disse.

Após a abertura do evento, os participantes assistiram às palestras com o tema o que é discriminação, proferida pelo mestre e doutor em Direito por Harvard, Adilson José Moreira, e, em seguida, sobre tensões entre o Direito à Diferença e o Direito à Igualdade, ministrada pela sub-procuradora-geral da República, Ela Wieko.  A última atividade da noite foi o coquetel de autógrafos da obra “Racismo Recreativo”, de Adilson José Moreira.

Evento
O Enajun é voltado à reflexão sobre a Magistratura brasileira e sua representatividade, tanto para os juízes negros, como para uma sociedade que ainda não encontra no Judiciário a sua projeção racial. O evento é aberto ao público e acontece até esta sexta-feira (25). Na atual edição, o Enajun celebrará os 50 anos da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, da Organização das Nações Unidas (ONU). Em edições anteriores, o projeto tratou da representação da população negra nos espaços de poder e o racismo estrutural.